Início Post 1044-cap-26

1044-cap-26

Capítulo 26: A Realização Súbita (1)
Se é com referência ao que ocorreu durante sua ausência, então ele deve estar falando sobre o colar de retenção que deveria lidar com Ricdorian ao ficar furioso ou pode ser possível que ele estivesse apontando o fato de eu tratar Ricdorian como um cachorro… Mas acredito que ele está falando de ambos…
Por uma questão, de fato, o que eu fiz não foi considerado ‘ótimo’. Eu estava apenas domando seu lado animal.
Além disso, é bom não ter bebido o chá. Porque se eu fizesse, eu definitivamente teria engasgado no momento em que o ouvi dizer isso. Deve ser porque era muito incomum um vilão como ele elogiar alguém. Ele estava mesmo me elogiando? Ou ele está apenas sendo sarcástico?
“Honestamente, valorizo o conceito de tratá-lo como um cachorro.”
“Ahem”.
Ugh! Enquanto tossia, finalmente vi seu olhar súbito das lentes azuis que refletiam friamente a luz. Ele parece de tirar o fôlego. Se ao menos ele não fosse um ser cruel, de coração frio e severo.
No entanto, ele está usando as palavras erradas agora!
“Tudo faz parte do que seu irmão falou? Ele pediu para você fazer isso? ”
… E por que o nome do meu irmão está sendo mencionado agora?
Estou confusa.
Apesar de sua pergunta incompreensível, tentei manter a calma e fingir que não estava pasma. Minhas ações em relação a Ricdorian não envolvem ninguém. Foi meu sincero compromisso em ajudá-lo.
“… ele não me disse nada. Meu… irmão… não sabe.” Eu disse cautelosamente, pois não quero que ele desconfie de mim.
Minha vida dentro desta prisão era algo que meu irmão desconhecia. Se eu tentar lembrar, nós dois não tivemos uma conversa adequada desde que acordei. Escrevi apenas ‘estou indo bem’ na carta anterior. Nada mais nada menos.
Eu nem sei quem é meu irmão em primeiro lugar!
Para começar, as cartas que eu enviei eram pedidos de mercadorias para propósitos de suborno… mas agora, eu tive a ideia mais duvidosa de todas.
Não tem como ele pensar que eu estou usando tudo isso para mim, certo? Ou ele fez? Realmente?! Não pude pensar nessa possibilidade de antemão!
Fechei os olhos e dei de ombros. Fiquei séria ao tentar quantificar a quantidade de cigarros e álcool que eu havia solicitado até agora… e se ele achar que eu tenho muita dependência de álcool? E se eu não puder ser libertada por causa disso?
Tentei me imaginar persuadindo meu irmão e pai sem rosto de que não era viciada, mas estou tendo dificuldades para visualizar. Eu nem sei como eles eram e do que são capazes. Eu só espero que eles não me deserdem.
Certamente, fui descuidada e estou ciente disso. Eu não me importava com o tipo de pessoa que eu era, que tipo de família eu tinha e quem eles são.
Mas uma coisa está clara: vou sair daqui um dia e tenho que enfrentá-los. Talvez eu tenha que adiar meus pedidos, então. Você precisa ter cuidado, Iana. Eu disse para elevar meu espírito.
Com isso em mente, ergui os olhos e encontrei o olhar de Lenag… por que ele está me olhando de novo, de uma maneira feroz? Eu me derreteria se ele não desviasse os olhos de mim tão cedo.
Parece que tornou-se um hobby para Lenag me encarar, especialmente quando eu estava perdida em meus pensamentos.
Eu podia sentir seu olhar todo esse tempo.
“Você está dizendo que era a vontade da senhorita Iana? Tudo o que aconteceu até agora foi exclusivamente sua escolha?”
“Sim?” Eu disse de uma maneira insegura, tentando não incomodá-lo.
Nesse momento, Lenag estava emitindo muita frieza, o suficiente para me congelar. Então, decidi inequivocamente* calar a boca e olhá-lo de maneira semelhante à de um prisioneiro trêmulo. Como diz o ditado, “nenhum prisioneiro está bem na frente de um guarda”. Parecia que ele não gostava muito da minha resposta à sua pergunta.
Logo, eu me encolhi quando ele falou.
“Ah … ah. A propósito.”
Eu sabia que não tinha pecado, mas ver Lenag me encarando daquele jeito me fez um gato assustado.
Em um momento, Lenag assentiu, como se tivesse acabado de processar minha resposta.
“Ok, então isso significa que você é dogmático… De qualquer forma, a caminhada do prisioneiro continuará como programado.”
“O que? Por quê?”
Eu sabia que acabei de pronunciar uma ou duas palavras, mas isso não me impediu de abrir os olhos amplamente. Ele está falando sério?
Não! Em momentos como esse, ele deveria me fazer perguntas como ‘como você conseguiu usar as restrições?’, ‘Por que você está tratando as pessoas como cães?’, ‘Quem você pensa que é?’ embora ele já saiba as informações sobre minha verdadeira identidade.
Enfim, não é normal se surpreender com o andamento repentino das coisas? Mas fui eu quem não conseguiu esconder minha ofuscação.
No entanto, Lenag respondeu com uma expressão estóica*.
“Porque é isso que você quer.”
Sua resposta me deixou mais confusa. E assim que ele percebeu o que acabou de dizer, acrescentou mais um esclarecimento.
“Fiz uma promessa a seu pai e irmão de ouvir o que você quiser.”
“… Você disse a mesma coisa da última vez. Mas você realmente quer fazer isso?”
Então me lembrei, quanto meu pai e meu irmão realmente pagaram a ele? Eles deram todo o seu dinheiro para ele? Ou ele estava em débito de gratidão com eles por obedecê-los até esse ponto?
“Sim. Era o que eu deveria fazer.”
Mas Lenag estava de boca fechada demais quando respondeu.
Por quê? Por que ele é muito reticente*? Por que não posso saber mais? Não consigo lê-lo como um livro aberto. Ele é místico demais.
Eu levantei a xícara de chá que ficou mais quente com um rosto levemente sombrio.
“… Para ser honesto, fiquei surpreso que você o tratou como um cachorro.”
Seria estranho ver uma pessoa tratar outra como um cachorro. No entanto, notei as nuances sutis. Lenag, que disse: “Tratado como um cachorro”, parecia estar se divertindo no momento. Como se enganar Ricdorian lhe desse entretenimento.
Ele acha isso engraçado?
Mas, pensando bem, por que meu irmão me pediria para fazer uma coisa dessas? E por que Lenag pensaria que era um pedido do meu irmão tratar Ricdorian assim?
Logo, com minha crescente desconfiança em relação a família de Iana, estreitei os olhos e abri a boca para questionar Lenag.
*****
estoico – inabalável
reticente – que ou aquele que hesita, que vacila.
inequivocamente – de maneira inequívoca; de modo a não permitir erro, engano.