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Capítulo 9 –

Assim que terminei minha frase, a sala se encheu de um silêncio ensurdecedor. Ambos o mordomo e o cavaleiro, que estavam ouvindo a conversa nas periferias da sala, também haviam suspendido o som de suas respirações.
O Grão-Duque me fitou ferozmente e estreitou os olhos para mim. Havia um complicado nó de emoções passando por seu rosto, que não podia ser expresso com precisão em palavras.
“Você… Você acha que eu lhe daria permissão para partir?”
“Você terá que dar.”
Eu disse.
“A pessoa que permitiu que a ferida se tornasse tão infeccionada não foi outra a não ser Sua Alteza Real, o Grão-Duque.”
“……!”
Os olhos do Grão-Duque estremeceram.
Ele apertou os lábios e foi incapaz de deixar sequer uma palavra passar.
‘Tsk.’
Eu estalei minha língua internamente.
Embora eu não tivesse certeza de seus sentimentos pessoais, como pai, o Grão-Duque não tinha direito de fazer coisa alguma senão pedir desculpas sinceras à Rubia.
Claro, o Grão-Duque não se desculparia.
“Então, devo entender que me deu permissão, e me retirar. Deixarei as imediações imediatamente, ainda hoje.”
Depois de terminar minha frase, eu me virei. Simplesmente assim, caminhei em direção à porta.
Um passo, dois passos…
Enquanto eu propositalmente andava devagar em direção à porta, murmurei para mim mesma.
‘Ele vai me segurar?’
Eu balancei minha cabeça internamente. Não acreditei que ele faria isso. Como esperado, o Grão-Duque nem mesmo abriu a boca enquanto eu chegava à porta.
Alívio e pena tomaram conta de mim ao mesmo tempo.
Alívio por que eu finalmente me afastaria de uma família tão destruída, pena pela dona original deste corpo, Rubia.
‘Você realmente foi uma criança lamentável.’
A ponta da minha língua tinha um gosto amargo sem razão.
Como resultado, eu o cumprimentei educadamente com uma expressão ainda mais aliviada. Esta vida, resolvi viver felizmente por mim e por Rubia.
“Obrigado por seu cuidado até agora. Despeço-me de Vossa Alteza Real pela última vez. Por favor, seja saudável e feliz.”
Os lábios do Grão-Duque tremeram com a última despedida de sua filha. Mas, no final, ele foi incapaz de dizer coisa alguma em resposta.
***
Depois que a princesa Rubia partiu, um pesado silêncio caiu sobre o escritório.
Com o queixo erguido, o Grão-Duque tinha uma expressão pétrea. De todas as vezes que o mordomo o vira, ele aparentava estar na pior, então cuidadosamente abriu sua boca.
“Você vai ficar bem sem pará-la?”
Após um longo silêncio, o Grão-Duque falou.
“Ela vai voltar em breve de qualquer maneira.”
O mordomo concordou com a cabeça com as palavras.
Não havia como uma dama aristocrática sem riqueza viver fora do castelo. Era bastante provável que a princesa Rubia seria incapaz de durar até mesmo um dia.
‘Mas será mesmo assim?’
O mordomo lembrou-se da figura da princesa Rubia que ele acabara de ver.
Ela estava diferente de antes. Não era a Princesa Rubia cujos ombros caíam, a cabeça abaixava e os olhos se enchiam de medo.
Na verdade, o que ele viu foi confiança e liberdade, diferentes de todas. Embora ela fosse uma princesa de figura pequena, ela parecia mais forte do que qualquer outra pessoa.
‘E… ela estava linda.’
Sem que soubesse, o mordomo balançou a cabeça.
Não era algo que um plebeu pudesse julgar, mas sua figura cheia de confiança era tão bonita que ninguém conseguiria tirar os olhos dela. Embora essa confiança imprudente muitas vezes parecesse arrogante, para ela, fazia sua beleza brilhar ainda mais intensamente.
Se a princesa de antes era como uma boneca de porcelana banhada pela luz, então a princesa de hoje era como uma fada divina.
***
Nesse momento, o Grão-Duque falou.
“Sir Olivier.”
“Sim, Vossa Alteza Real.”
O cavaleiro da guarda curvou a cabeça.
“Cuide de Rubia até que ela volte. Não deve demorar muito.”
“Sim, Vossa Alteza Real.”
Como “cuidar” equivalia a “proteger contra o mal”, o mordomo deixou escapar um suspiro de alívio.
Sir Olivier perguntou.
“O que devo fazer se a princesa realmente decidir deixar o Grão-Ducado?”
“Nesse momento, traga-a de volta para o castelo.”
“Eu obedecerei.”
*****