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Capítulo 5 –
No entanto, os criados que antes estavam conversando acaloradamente perceberam minha presença e fecharam a boca.
A atmosfera na sala de jantar foi subitamente alterada.
Antipatia. Desprezo. Desdém.
Havia olhares misturados com um toque de pena, mas a maioria deles era assim.
Ignorei suas expressões e falei.
“Tragam-me algo para comer. Cozinhe a carne mal passada. Ah, se houver vinho, traga também. Seria bom se fosse um Bordeaux le vin.”
Perplexidade atravessou os olhos dos criados.
Era surpreendente que Rubia estivesse fazendo tal exigência. A Rubia que conheciam era uma princesa covarde, tímida e retraída que mal conseguia dizer uma palavra.
“O que estão fazendo? Apressem-se e tragam minha refeição.”
“Alteza, já passou da ceia e não há comida para ser trazida.”
Disse a chefe das empregadas da cozinha. Ela era a empregada preferida da madrasta Marguerite, e o olhar dirigido a mim foi bastante insolente.
“Não há comida?”
“Sim, sua Majestade.”
“Então faça um pouco agora.”
“Eh?”
“Se não há comida, faça um pouco agora. Algum problema?”
A empregada chefe da cozinha apertou os lábios frente às minhas palavras. Então, ela soltou um grande suspiro.
“Ha. Que inconveniente.”
Foi um murmúrio, mas bastante coerente. Claro, provavelmente era sua intenção que eu ouvisse.
“De qualquer forma, eu entendo. Por favor espere um pouco.”
Era imprudente de uma mera empregada agir com tal atitude para com uma princesa, mas foi esse o tratamento que a dona original deste corpo, ‘Rubia’, sempre recebera.
Não havia uma única pessoa neste castelo que a tratasse com humanidade. A negligência do rei, a indiferença do visconde, junto com a intimidação da madrasta levaram até os criados a menosprezar Rubia.
‘Vamos apenas comer.’
Eu podia sentir meu corpo ficando fatigado enquanto esperava pelo jantar. Vamos comer primeiro, depois pensar.
Logo, a chefe das empregadas voltou com uma bandeja. Em cima da bandeja havia apenas um pequeno prato solitário.
Clank!
A empregada colocou o prato na minha frente como se o jogasse.
Enquanto eu ria de surpresa, os cantos de seus lábios se ergueram.
“A única comida que tínhamos era esta. Espero que você tenha uma boa refeição. ”
O prato estava cheio até a metade com aveia fria.
“Além disso, por favor, faça suas refeições na hora certa a partir de agora. Não podemos organizar nossa programação para corresponder à preguiça de sua Alteza, a Princesa. ”
Depois de ouvir até esse ponto, soltei um suspiro e me levantei do meu assento.
Eu estava tão cansada que ia fechar os olhos contra tamanha insolência e recuar o mais rápido possível. Ainda assim, pode haver escória¹, mas onde no mundo existe escória tão desprezível? Essa situação foi levada longe, mas longe demais.
“Terminou de falar?”
Quando me levantei e olhei para ela, a chefe das empregadas de meia-idade estremeceu ligeiramente. No entanto, depois de aparentemente ter se lembrado da Rubia de costume, ela arrogantemente ergueu o queixo.
“Sim. Por favor, tome cuidado de agora em diante. ”
Considerei como resolver essa situação em que minha autoridade legal havia entrado em colapso.
Havia muitas soluções. Mas elas eram muito incômodas, então escolhi o método mais simples e rápido.
O método mais eficiente de reconstruir uma autoridade em colapso.
Isto é, mostrar autoridade esmagadora.
Smack!
Minha mão cortou o ar e atingiu a bochecha da empregada.
***
“Aack!”
A empregada chefe soltou um grito ao cair.
Frente a essa cena inesperada, as outras criadas também empalideceram e gritaram.
Eu disse para a empregada atordoada que desabou de dor e choque.
“Levante-se.”
“……!”
A chefe das empregadas envolveu a bochecha inchada com a mão e me encarou ferozmente.
Quando eu vi seu olhar, continuei, imóvel.
“Parece que ainda lhe falta disciplina. Ou então, você deve considerar o Grão-Ducado de Roxanne um alvo fácil. ”
“……!”
Ao ouvir as palavras “Grão-Ducado de Roxanne”, a empregada ficou imóvel abruptamente.
Eu engoli meu suspiro. Desde o início desta reencarnação, usei esse repertório de ameaças várias vezes. Foi ao ponto em que eu estava ficando cansada disso.
*****
¹ Escória: Camada desfavorecida de uma sociedade; pessoas desprezíveis ou irrelevantes.