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Capítulo 3:

A esposa de um homem rico. Não foi uma vida muito feliz, e seu
final também não era preferível. Mais importante ainda, a
senhora de uma família rica tinha muitas coisas a considerar e
com que se preocupar.

‘Ou talvez a amante distante de um homem pouco
ambicioso? Isso seria o suficiente? ‘

Eu desabei na minha cama e fechei os olhos.

‘Eu não sei. Tanto faz. Tudo se resolverá no devido
tempo. Vamos tirar uma soneca. ‘

O sono tomou conta de mim.

Na minha última vida, nunca dormi mais do que quatro horas por
dia. E, mesmo assim, não conseguia dormir profundamente. Era
porque eu sempre corria o risco de ser assassinada.

Como resultado, desta vez decidi seguir três regras: dormir cedo,
acordar tarde e tirar uma soneca à tarde. Claro, se eu ficar
sonolenta no meio do dia, vou dormir ainda mais.

‘A vida não é complicada. Coisas boas são boas. Desta vez,
vamos ser feliz a todo custo. Mas primeiro deixe-me dormir. ‘

No entanto, minha primeira tentativa de tirar uma soneca à tarde,
necessária para minha felicidade, virou fumaça desde o início.

Foi porque a porta do meu quarto se abriu.

“Rubia!”

Voz afiada. Foi a madrasta.

 

Desta vez ela veio com reforço.

Era um jovem bonito, com cabelos prateados radiantes e
atraentes e olhos azuis celeste.

Ele começou a falar em tom firme.

“Rubia, as afirmações da mãe são verdadeiras?”

Eu acordei cansada.

‘Visconde de Sabien.’

Esse belo jovem era o herdeiro do trono do Grão-Ducado de
Roxanne, o Visconde Sabien. Ele também era meio-irmão de
Rubia. Ele era filho da primeira grã-duquesa, antes do
casamento do grão-duque com a mãe biológica de Rubia.

Como se podia ver pelo modo como sua madrasta o trouxera
como reforço, ele, também, não gostava de Rubia.

‘Não, para ser exata, ele não tem interesse. Como tal, mesmo
que a madrasta culpasse Rubia por um milhão de falhas, ele não
pensou em investigar mais profundamente as circunstâncias.’

Em alguns aspectos, ele era pior do que sua madrasta.

Pois a tímida Rubia não teve chance de explicar os rumores
injustos sobre ela.

Se o Visconde Sabien tivesse investigado, mesmo que um
pouco sobre suas circunstâncias, a quantidade de sofrimento em
sua vida teria sido reduzida pela metade.

“Me responda. É verdade que você agiu rudemente com nossa
mãe? ”

 

Seu tom frio era como o de uma nevasca, cheio de agulhas
afiadas e congeladas.

Claro, eu apenas senti que era muito fofo.

“Sim, é verdade.”

Os olhos do Visconde Sabien mudaram de forma incomum. Era
porque meu tom de voz estava calmo, ao contrário do normal.

Ignorei sua reação e continuei falando.

“Isso se você puder chamar uma senhora, cujas primeiras
palavras para sua filha que acabara de voltar da porta da morte
foram de repreensão e zombaria, de mãe.”

“……!”

Com o golpe repentino, o rosto da madrasta empalideceu. A
madrasta sempre fingiu ter bom coração na frente dos outros,
com exceção de Rubia.

O Visconde Sabien franziu o cenho profundamente.

“Suas palavras são muito duras. Mesmo que a mãe tivesse dito
palavras aparentemente ofensivas, elas não devem ter sido com
más intenções.”

“C-certo. Eu só estava preocupada com você! ”

Preocupado? Se ela se preocupasse duas vezes, ela acabaria
pregando uma boneca fragmentada*.

N/t: *Pregando uma boneca fragmentada – Esta é uma expressão coreana. Não
havendo tradução direta, o tradutor fez uma referência a bonecos de vodu. É
basicamente amaldiçoar as pessoas apunhalando a boneca.

Soltei um sorriso de escárnio*, olhei diretamente para o
Visconde Sabien e falei.

 

N/t: *escárnio – o que é feito ou dito com intenção de provocar riso; caçoar,
zombar.

“Meu senhor está me repreendendo com as intenções amorosas
de um irmão mais velho ou tentando endireitar o decoro
doméstico?”

Por um momento, o Visconde Sabien ficou sem palavras.

“Eu….”

Se fosse por amor ao irmão mais novo, não era assim que se
deveria repreendê-los, pois mostrar preocupação com o bem-
estar da irmã, que adoecera recentemente, deveria ter vindo em
primeiro lugar na conversa.

Se fosse para estabelecer regras domésticas diretas, as ações
habituais da madrasta em relação à princesa Rubia não teriam
obedecido ao decoro.

‘Que frustrante.’

Procurei o taco por hábito da minha vida passada, e depois de
perceber que ele estava ausente, franzi as sobrancelhas.

“De qualquer forma, sua atitude foi falha. Peça desculpas à
mãe.”

Eu cruzei meus braços.

Que desenvolvimento frustrante. Parecia que estava me
enchendo de batatas assadas sem água.

Pensei em usar meu raciocínio silogístico* para desferir um
golpe fatal no argumento do Visconde Sabien, mas desisti no
último segundo.

N/t: *silogístico – argumentação lógica perfeita.

 

*****